4 de outubro de 2019

Mitsubishi volta a demitir funcionários em Catalão

Esta semana, 35 trabalhadores receberam os avisos; segundo sindicato, empresa já teria sinalizado que o número pode passar de 100 nos próximos dias.
 
A Mitsubishi Motors deve demitir mais de 100 funcionários que trabalham em sua unidade localizada em Catalão, no Sudeste do Estado. Na quarta-feira (2), mais de 35 trabalhadores já foram desligados, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão (Simecat). Porém, segundo o sindicato, a empresa já teria sinalizado que o número de demissões pode passar de 100 nas próximas semanas, o que deixou os funcionários apreensivos.
 
O presidente do Simecat, Carlos Albino, disse que foi pego de surpresa com a notícia, pois não recebeu nenhum comunicado da empresa sobre o assunto. Segundo ele, os desligamentos ocorreram em diversas áreas e cargos da indústria, incluindo gerentes e supervisores. “Há seis meses, estávamos com um acordo de redução de carga horária e salários (de 2% a 10%), que venceu no último dia 30”, destaca o sindicalista.
 
Carlos Albino conta que a empresa havia sinalizado que produziria 29 mil veículos em Catalão este ano, um volume que já era 10% menor que no ano passado. E já teria reduzido essa estimativa para 24 mil unidades. O motivo, segundo ele, seria a redução de R$ 7,5 milhões nos incentivos fiscais que a Mitsubishi recebe do Estado. “As empresas estão revoltadas com o governo estadual por interromper um acordo que estava em contrato até 2022. Com certeza, Goiás não irá receber novas empresas para gerar mais empregos”, ressalta o sindicalista.
 
Ele prevê que as demissões causem um prejuízo significativo para a economia de Catalão, neste momento de alto índice de desemprego. Na última quarta-feira, o Simecat chegou a fazer uma manifestação na porta da empresa, na tentativa de suspender as demissões, mas não teve sucesso. O assunto deve ser discutido no próximo dia 9, quando deve ocorrer uma reunião com representantes da montadora para tratar da campanha salarial.
 
Carlos Albino disse que o sindicato também não foi informado se os trabalhadores demitidos receberão algum tipo de benefício extra em suas rescisões, como um prolongamento dos planos de saúde ou alguma outra indenização compensatória. “Isso porque, pela nova lei trabalhista, as empresas não são mais obrigadas a fazer as rescisões com a intermediação dos sindicatos dos trabalhadores”, lembra o sindicalista.
 
O advogado tributarista Flávio Rodovalho lembra que, pela lei da reinstituição dos incentivos fiscais, aprovada no fim do ano passado, as indústrias automotivas perderam 50% do crédito outorgado, que chegava a 92,65% para peças e a 98% para veículos. Além disso, todas as empresas também tiveram que arcar com uma taxação de 15% sobre a parcela incentivada nos programas para o Protege. “Essas demissões são apenas um pequeno capítulo de uma tragédia anunciada”, diz Rodovalho.
 
Por meio de sua assessoria, a Mitsubishi afirmou que não comentaria o assunto. O governo de Goiás informou que, por se tratar de decisão interna da empresa, também não se manifestaria.
Fonte: O Popular