26 de fevereiro de 2021

Divulgados os critérios que definiram situação de calamidade dos municípios

Três das seis regiões consideradas em situação de calamidade por causa da Covid-19 apresentaram o pior desempenho em quatro dos seis indicadores usados para o cálculo do índice de risco. Em comum entre as regiões mais graves, a alta velocidade no contágio (Re) e a taxa de crescimento de solicitação de leitos de UTI nos últimos 7 dias (CRE).
 
Os dados que embasaram o mapa de calor com a classificação das regiões por gravidade da epidemia foram disponibilizados pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) apenas nesta quarta-feira (25). Estas informações podem ser acessadas pelo leitor do POPULAR .
 
A região Entorno Sul, que envolve sete cidades do Entorno do Distrito Federal, apresenta a taxa de contágio alta, a de incidência de síndromes respiratórias (Srag) nos últimos 15 dias, a de crescimento de pedidos de UTI e a de ocupação de leitos de UTI. Por outro lado, nesta área, a taxa de mortalidade ainda é considerada baixa em relação às outras regiões. Já a da Estrada de Ferro, que abrange Catalão, Caldas Novas e mais 16 municípios, tem uma taxa de mortalidade pior que a do Entorno Sul, mas melhor na ocupação de UTIs.
 
As diferenças entre as regiões que receberam as mesmas classificações são um dos argumentos usados pelo governo estadual para justificar que um indicador isolado, quando positivo, não pode ser usado para desqualificar a classificação grave recebida.
 
O mapa de calor é dividido em três níveis, aos quais são atribuídas situações: o 1 – Amarelo/Alerta, o 2 – Laranja/Crítico e o 3 – Vermelho/Calamidade. O índice é calculado a partir de seis indicadores, sendo metade relacionada à situação de contágio pelo coronavírus e a outra parte à sobrecarga no sistema de saúde público e privado.
 
Divulgado inicialmente no dia 17, uma quarta-feira, o mapa deve ter uma nova edição nesta sexta (26), sendo renovado a cada semana.
 
Nenhum lugar está tranquilo
 
O fato de as outras 12 das 18 regiões em que a SES-GO dividiu o Estado para a classificação não estarem em calamidade não significa que todos os indicadores destas áreas estão bons. Todas as 7 regiões que receberam a cor laranja e as 5 que ficaram com o amarelo tiveram pelo menos um indicador vermelho na composição do cálculo.
 
No mapa de calor da SES-GO, a situação menos grave é a da região de Pirineus, onde está Anápolis e Pirenópolis. Apesar de a incidência de Srag está no nível 3, todos os outros indicadores estão em nível 1, sendo que a taxa de contágio é a única que ficou abaixo de 1, o que significa que, no momento, a epidemia nesta região está mais controlada.
 
A região Central, onde está Goiânia, aparece bem no indicador de taxa de crescimento de pedidos de UTI, mas em dois outros aparece em situação de calamidade (taxa de contágio e). Situação idêntica à da região Centro Sul, onde está Aparecida de Goiânia.
 
A Nordeste I, que abrange Cavalcante e outras quatro cidades, uma das regiões mais carentes de Goiás, tem três dados ruins: a pior taxa de contágio no Estado, a variação na taxa de mortalidade por Covid-19 nos últimos 15 dias e a pior taxa de ocupação de leitos de UTI.
 
Também apresenta três indicadores graves a região São Patrício II, que envolve Jaraguá, Goianésia e mais seis municípios. Os destaques negativos são para a taxa de contágio, a incidência de síndromes respiratórias (Srag) nos últimos 15 dias (que é a pior do Estado) e a taxa de ocupação de leitos de enfermaria (a única das regiões que neste item aparece com índice de calamidade).
 
MP de olho
 
Ao todo, nas seis regiões em estado de calamidade, há 89 municípios, sendo que levantamento feito pelo POPULAR mostrou que 15 não seguiram as orientações da nota técnica da SES-GO elaborada de acordo com os níveis do mapa de calor. O lançamento deste documento foi marcado por uma nova estratégia do governo estadual, com a colaboração do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), que promete cobrar o seguimento da nota técnica pelas prefeituras.
 
É o caso de Caldas Novas e Rio Quente, que estão em situação de calamidade, se recusam a seguir a nota técnica, e foram procurados pelo MP-GO que negocia uma forma de as medidas restritivas serem obedecidas.
 
O governador Ronaldo Caiado (DEM) já adiantou que no próximo mapa não haverá nenhuma cidade em situação de alarme e que todas estarão ou com a cor laranja ou vermelha. Especialistas e autoridades públicas afirmam que o Estado – assim como o País – está em um momento de agravamento da epidemia, a chamada segunda onda, e que a tendência, caso as prefeituras não adotem medidas restritivas, é de agravamento.
Mapa de Risco apresenta o resultado de um índice de risco para COVID-19, por região. O índice, foi calculado a partir de 06 indicadores, sendo 03 relacionados à
situação do contágio pelo novo coronavírus e 03 relacionados à situação de sobrecarga do sistema de saúde (incluindo unidades públicas e privadas).
Para cada um dos indicadores, foram estabelecidos parâmetros de corte de forma a atribuir uma situação (Alerta – 1 / Crítica – 2 / Calamidade – 3) conforme o
valor daquele indicador, para cada Região de Saúde.
Cada indicador, conforme sua relevância, impacta no cálculo do índice conforme PESO pré-definido; ou seja, a SITUAÇÃO encontrada para cada indicador, é
multiplicada pelo PESO do mesmo na composição do ÍNDICE apresentado no mapa, como uma média ponderada.
Assim, na tabela cima, cada indicador proposto possui duas colunas: a primeira apresenta seu valor de cálculo e a segunda (com cores) apresenta sua situação
conforme parâmetros apresentados no Quadro 01.