19 de junho de 2012

Deputado defende que Adib e Velomar abram seus sigilos espontaneamente

Deputado defende que Adib e Velomar abram seus sigilos espontaneamente

Deputado-membro da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a relação de políticos goianos com a contravenção, além de contratos firmados entre o governo estadual e prefeituras goianas com a Delta, Túlio Isac (PSDB) defende que o prefeito de Catalão, Velomar Rios, e o ex-prefeito e presidente regional do PMDB, Adib Elias, sigam o exemplo do governador Marconi Perillo que espontaneamente abriu os seus sigilos bancário, fiscal e telefônico para a CPI do Cachoeira no Congresso Nacional.
      “Marconi mostrou que não deve e, portanto, não teme. Seu exemplo deveria ser seguido pelo prefeito Velomar Rios e pelo seu padrinho político, Adib Elias, poupando trabalho à CPI”, disse o deputado tucano.
      Túlio afirmou, no entanto, que caso a dupla Adib e Velomar não se antecipe à comissão, oferecendo voluntariamente seus dados, vai pedir a quebra dos sigilos de ambos, assim como do secretário municipal Luís Severo Gomides e da presidente da Comissão de Licitação da Prefeitura, Karla Rosane Rabelo.
      Karla, aliás, já foi interrogada pela Polícia Civil em inquérito que apura irregularidades em mais de 100 processos de licitação na Prefeitura de Catalão.
      Lázaro da Silva e Nelson Fayad, ex-auxiliares de Adib, que deixaram a Prefeitura de Catalão algemados durante a Operação Ouro Negro, deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público, também podem ter os sigilos quebrados pela CPI.
      “Temos elementos contundentes que indicam que a Delta mantinha relações nada republicanas com os ocupantes do Paço Municipal catalano desde 2003. Além do mais, o senhor Cláudio Abreu, braço direito de Cachoeira e ex-diretor da Delta Centro-Oeste, era freqüentador dos palanques peemedebistas, arrecadador das campanhas daquele partido em Catalão. Adib e Velomar têm muito a explicar e a quebra dos seus sigilos de ambos é indispensável”, destacou o parlamentar.
      Escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal mostram que não somente Cláudio Abreu, mas também o contraventor Carlinhos Cachoeira eram próximos a Adib. Em um dos diálogos, o ex-diretor da Delta e o bicheiro combinam de ir a Catalão conhecer para eventual compra um terreno de “quatro alqueires” pertencente à Adib.
      A Delta passou a operar em Catalão em 2003, sob a influência de Adib Elias. A empreiteira conquistou contratos milionários e chegou até a patrocinar o time do CRAC. Hoje, os contratos entre a Delta e a Prefeitura de Catalão – na área de coleta de lixo e obras de expansão da rede de esgoto  estão sob a investigação do Ministério Público.
      Ainda assim, o prefeito Velomar Rios (PMDB) se recusou a suspender os contratos – a despeito do que fez o chefe do Executivo da capital, Paulo Garcia (PT).
      Adib, a Delta e outras construtoras são investigadas pelo MP por supostamente terem causado um prejuízo de R$ 600 mil aos cofres da Prefeitura.
      Em diálogo gravado pela PF sete meses antes da realização da licitação para expansão da rede de esgoto de Catalão com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, Cachoeira e Cláudio Abreu comemoravam que a obra seria deles. O certame foi realizado pela prefeitura de Catalão.
      “A nossa CPI não vai terminar em pizza. Se em Brasília, funciona a blindagem e o favorecimento aos amiguinhos do ex-presidente Lula, aqui não vamos descansar enquanto aqueles que embolsaram o dinheiro do povo, acreditando na impunidade, não pagarem muito caro pelos seus atos”, garantiu Túlio Isac.