19 de junho de 2012

CPI da Assembleia convoca Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do Dnit

O relator da CPI na Assembleia, deputado Talles Barreto, em conjunto com Tulio Isac, pediu a convocação do ex-diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, e do ex-superintendente do órgão em Goiás e DF, Alfredo Soubihe Neto. Também será convocado o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish. A CPI ouviu hoje o delegado José Luiz Martins, ex-titular do 1º DP de Águas Lindas.

O relator da CPI na Assembleia, deputado Talles Barreto (PTB), e Tulio Isac (PSDB) apresentaram, na reunião realizada na manhã desta terça-feira, 19, requerimento para que sejam convocados para depor o ex-diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, e o ex-superintendente do órgão em Goiás e Distrito Federal, Alfredo Soubihe Neto. Eles também pediram a convocação do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish. Os requerimentos pedindo as convocações serão votados na próxima sessão da CPI, na terça-feira, 26.

Em outro requerimento, Talles solicita que seja investigada atuação da construtura Delta junto a prefeituras goianas, e não somente o envolvimento de prefeitos e servidores com a empresa. Talles Barreto também apresentou sugestão de cronograma de depoimento dos outros 18 convocados já aprovados para comparecer à CPI.

A CPI, que investiga possível envolvimento de autoridades e políticos goianos com a contravenção e o crime organizado, iniciou nesta terça-feira, 19, a fase de coleta de depoimentos, ouvindo o delegado de Polícia Civil, José Luis Martins, que integra uma lista de 19 pessoas que serão intimadas a depor, entre servidores do Estado, policiais e ex-secretários de Governo.

O depoente era titular do 1° DP de Águas Lindas, e está sendo investigado pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, que apura esquema de contravenção comandado por Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira.

Ao iniciar os trabalhos, o presidente da CPI, deputado Helio de Sousa (DEM), informou que a Comissão recebeu HD com cópia do Inquérito Policial da Operação Monte Carlo, efetuada pela Polícia Federal. O documento, de caráter sigiloso, se encontra disponibilizado na sala da CPI, para consulta exclusiva de deputados e procuradores da Assembleia.

O deputado Mauro Rubem (PT), vice-presidente da CPI, apresentou requerimento, pelo qual solicita ao presidente da CPI que o acesso ao processo do inquérito da Operação Monte Carlo, encaminhado pela Justiça Federal, seja ampliado e não fique restrito à leitura nas telas dos computadores instalados na sala de reuniões da Comissão.

Logo após a apresentação de requerimentos, o presidente colocou em apreciação dos membros a apresentação dos documentos que foram solicitados pela CPI a prefeituras e órgãos públicos. Foram recebidos documentos provenientes da Segplan, com os dossiês dos ex-servidores do Estado, Eliane Pinheiro e Edvaldo Cardoso; da Prefeitura de Anápolis, com cópias de processos; e da Casa Civil do Governo do Estado, prestando informações sobre origem de decretos de interesse da CPI.

Depoimento

Ao iniciar a oitiva, o deputado Helio de Sousa explicou que Martins foi convidado, na condição de testemunha, porque pode prestar esclarecimentos sobre o inquérito instalado pelo Ministério Público para investigar possíveis vínculos de policiais e delegados com o esquema de exploração de jogos ilegais comandado pelo empresário Carlos Cachoeira.

José Luiz Martins fez exposição por cerca de dez minutos, e, então, prosseguiram os questionamentos. Martins afirmou, entre outros assuntos, que seu trabalho no Entorno de Brasília era focado na investigação de homicídios, estupros e outros crimes, e que não tinha conhecimento das atividades ilegais de Cachoeira. “O pouco efetivo nos impedia que a contravenção fosse prioridade. O Entorno tem inúmeros problemas e é impossível termos conhecimento de todos eles.”

José Luiz Martins de Araújo esclareceu que foram realizadas reformas no 1º DP de Águas Lindas pela Secretaria de Segurança Pública, mas não soube qual a origem dos recursos. Martins revelou ainda que apenas encaminhou ofício à prefeitura de Águas Lindas solicitando a construção de um balcão na delegacia.

O delegado disse que não sabe explicar como máquinas caça-níqueis foram retiradas da delegacia, conforme mostram imagens gravadas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo.

Questionado sobre o recebimento de uma mesada de R$ 5 mil por mês para que não investigasse as atividades do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira, em Águas Lindas, o delegado negou a afirmação constante do inquérito da Operação Monte Carlo. “Nunca tive relação com a organização criminosa.”

O delegado afirmou que não conhece Carlos Cachoeira, nem Lenine Araújo de Souza, apontado como contador do esquema do contraventor e tampouco o delegado da Polícia Federal, Fernando Byron, personagens envolvidos na Operação Monte Carlo.

Martins esclareceu ainda que desconhecia a relação do prefeito de Águas Lindas, Geraldo Messias, com Cachoeira, e que nunca recebeu denúncias das atividades ilícitas do contraventor no município e afirmou que, na medida do possível, o trabalho de combate ao jogo ilegal foi realizado pela polícia em Águas Lindas. “Basta olhar o relatório das máquinas que foram apreendidas pela delegacia.”

Após encerrado o depoimento, o deputado Talles Barreto (PTB) afirmou que vai solicitar informações sobre a reforma realizada em delegacia da cidade de Águas Lindas.

Mauro Rubem, por sua vez, afirmou que faltaram documentos para fundamentar os questionamentos direcionados ao delegado José Luiz Martins e, por isso, levantou a possibilidade de convocá-lo para prestar novo depoimento na CPI. “Fiquei assustado com o desconhecimento do delegado em relação às atividades ilícitas no município de Águas Lindas.”

Helio de Sousa (DEM) encerrou a reunião da Comissão e convocou a próxima (sétima) para terça-feira da semana seguinte, dia 26 de junho.