26 de junho de 2020

Catalano Selon é finalista em concurso de novos talentos em São Paulo para pintar murais em prédios

Selon: “Procuro transmitir uma dinâmica visual na composição do meu trabalho” (Foto: Divulgação)
 
 
Goiânia por muitos anos foi o mural do artista visual Santhiago Vieira, mais conhecido como Selon, de 35 anos. Não é difícil encontrar o trabalho do grafiteiro pelas ruas da cidade, como na Marginal Botafogo, na Avenida Perimetral Norte, no Setor Universitário e no Centro. Na carreira, são mais de 200 obras espalhadas pelo Brasil, como em Santa Catarina e Belo Horizonte, e pelo mundo, como EUA, Suíça e Inglaterra. Desde janeiro, o goiano mora em São Paulo, onde é um dos dez finalistas do concurso Novos Talentos em Murais SP, que vai selecionar cinco artistas para pintar em prédios na maior cidade do País.
 
“Mudei-me para São Paulo em busca de mais oportunidades para a minha arte e ser selecionado nesse concurso de imediato foi bastante importante na apresentação do meu trabalho. Estou otimista e feliz pelo reconhecimento”, comenta o artista, em entrevista ao POPULAR. A votação teve início no dia 20 e será encerrada neste sábado, às 15 horas, e os vencedores serão divulgados no mesmo dia no site www.muraissp.com.br. Os dois mais votados pintarão empenas (pinturas nas alturas) e os outros finalistas farão murais em fachadas de importantes prédios da capital paulista escolhidos pela organizadora.
 
No concurso, os artistas fizeram as inscrições on-line gratuitamente e uma comissão selecionou os dez finalistas em avaliação de portfólio. Em seguida, divididos em dois grupos, os escolhidos fizeram uma pintura em espaço público. “A gente tinha das 9 até 18 horas para finalizar. Fiquei um pouco tenso na época pelo clima de competição, mas acabou que controlei bem o tempo e no final deu tudo certo”, lembra Selon. O goiano concorre ao lado de importantes nomes da cena do grafite paulista, como Thiago Nevs, Rafael Sliks, Fidelis o Kueio, Pixote Mushi, Marina Rodrigues, Bruna Serifa e Felipe Ikehara.
 
Para conquistar o voto do público, Selon criou uma obra geométrica, com perspectiva, abstrata e nas composições de cores azul, vermelho, laranja e branco – marca registrada na produção do artista visual. “Procuro transmitir uma dinâmica visual na composição do meu trabalho. Nesse em específico, criei uma poesia visual que fala sobre o espaço urbano e a experiência do ser humano viver nesse meio de forma integrada”, analisa. Ao longo de 20 anos de carreira, defender a democratização e acesso à arte usando os muros para fortalecer a relação pessoas e cidade sempre foi uma das bandeiras do goiano.
 
O artista conta que os trabalhos foram feitos em junho, no período de quarentena por conta do novo coronavírus, mas respeitando todas as recomendações de saúde, como o distanciamento entre os espaços de pintura, todo mundo usando máscaras e com álcool em gel disponível para cada artista. “Fizemos em um espaço a céu aberto e com todo cuidado possível, evitando aglomeração e a chance de ficar doente”, lembra. Os trabalhos tiveram o mesmo tamanho (2m x 1,8m) e os candidatos usaram a mesma disposição de materiais para que se tenha uma igualdade nessa etapa de votação com o público.
 
Mudança
 
Natural de Catalão, Selon chegou a Goiânia na infância. O interesse pela arte surgiu aos 16 anos, quando começou a fazer os primeiros grafites nas ruas, onde fez dos muros, lotes baldios e fachadas, sua grande escola. A sua pintura nasce pelo cálculo e termina aplicada organicamente sobre uma parede. A paleta de cores é relativamente pequena – preto, branco, cinza, azul, vermelho e amarelo. O spray deu lugar às tintas látex, esmalte e acrílica. Rapidamente, foi para as galerias e museus, fez exposições individuais em telas, caiu no gosto de arquitetos e participou de feiras.
 
A mudança para São Paulo foi uma decisão tomada no final de 2019 com o objetivo de ampliar ainda mais o seu mercado, assim como fez em 2005 o goiano Kboco, que atualmente mora em Cavalcante. “O que percebo em Goiânia é que temos uma quantidade pequena de galerias e de museus e boa parte passa o ano fechada. Não há uma grande circulação da produção regional e de artistas de fora. Busquei novos ares para estar mais próximo do que está acontecendo no segmento já que tem um cenário mais amplo no circuito das artes e também para ter um contato maior com o público.”
 
Segundo Selon, apesar da pandemia, a expectativa ainda é boa para 2020 e o concurso figura como uma grande janela da carreira. “O coronavírus deixou tudo em stand by, mas, no contexto geral, todo mundo está se adaptando nesse momento difícil. Estou aprendendo a apresentar o meu trabalho melhor na internet e fazendo contatos. Ser um dos ganhadores sem dúvidas trará ótimas possibilidades”, avalia. De acordo com o regulamento, os cinco trabalhos mais votadas realizam suas pinturas na cidade de São Paulo no período de 30 a 10 de julho, e ganham um cachê de R$ 5 mil.
Fonte: O Popular