12 de março de 2018

Homem é abordado pela PM e enfarta durante percurso à delegacia

                       Helton Antônio Rita

Uma simples abordagem policial tem dado o que falar na cidade de Catalão. O fim de semana foi de discussão e opiniões contrárias. Na noite deste sexta-feira (9), Helton Antônio Rita, de 42 anos, foi abordado no Jardim Europa e teve um ataque fulminante. Como tudo se deu em questão de minutos e, como diz o ditado popular, “notícia ruim corre a galope”, antes mesmo que a família fosse informada dos fatos verídicos, já havia se instalado alarde em relação a abordagem policial e a prisão de Helton.

As primeiras versões surgiram com o filho assustado, que correu em casa para contar aos familiares que o pai havia sido abordado. Em seguida, a família foi à delegacia da Polícia Civil e Helton não havia chegado por lá. Foi dada a notícia de que estava na UPA, o que de forma imediata e errônea, concluiu-se que ele havia se machucado. Na verdade ele teve ataque fulminante e socorrido pelo policiais militares. Mas já chegou sem sinais vitais alna UPA.

Não é preciso muito para saber que todos estamos propensos a ataques fulminantes, principalmente quando há histórico familiar. Pessoas aparentemente sadias, de idades variadas, podem sofrer o ataque fulminante e em situações que vão desde a uma noite de sono, situações corriqueiras, à uma abordagem policial.

O Blog Diante do Fato lamenta a morte de Helton, bem como registra o trabalho desempenhado pela Polícia Militar de Catalão de forma coerente.

Helton Rita estava conduzindo seu veículo por uma via do bairro Jardim Europa. Foi abordado e constatado conjunto de sinais que demonstrava nítida alteração de sua capacidade psicomotora, indicando com clareza o seu estado de embriaguez. A Lei é clara: tolerância zero para bebida e direção, mesmo se tratando de algumas latinhas e estando o condutor a poucas quadras de casa.

Helton foi abordado e preso em flagrante. O carro foi deixado na via e ele foi levado pelos policiais para depoimento e confecção do boletim de ocorrência na delegacia de Polícia Civil.

Em casos de prisão por embriaguez, a Policia taxa uma fiança que gira em torno de um salário mínimo, mas é fixado pelo delegado responsável. A pessoa presa só é liberado mediante pagamento e com uma pessoa maior de idade assinando termo de responsabilidade e conduta pela pessoa que está sendo liberada (até que ela volte às condições normais – no caso, sobriedade).

Helton Rita era uma pessoa bem conhecida e muito querida pela comunidade em que morava e também pelo seu envolvimento nas Congadas. Sua morte foi de forma inesperada, mas a questão é: quem está preparado para encarar a morte?!

O Blog pede ao leitor, encarecidamente, que reflita no que poderia ter acontecido se não fosse a abordagem policial. Helton poderia ter sofrido ataque fulminante dirigindo, o filho poderia ter se machucado e até poderia ferir outras pessoas com a colisão do carro. A morte poderia ter sido em casa, com a presença de toda a família. Independente do local, seria um choque de qualquer forma.

Mais uma vez lamentamos a morte de Helton e frisamos que o fato de ter sido durante uma abordagem policial não faz dos policiais chacais.

A reportagem do Blog Diante do Fato foi procurada por familiares de Helton que denunciavam agressão, maus tratos e abuso de poder. Mas sem provas e muitos ainda emocionados e em busca de motivos para a morte repentina de Helton.

Não trabalhamos com boatos. Não se faz notícia com “disse que me disse”. Até que os dois lados da história sejam ouvidos, não é certo nenhuma publicação que possa apontar culpados. A pessoa pode ter histórico de ocorrências policiais, pode ter cometido crime e ter sido pego em flagrante que ainda sim é suspeito. É dado como suspeito até que seja julgado. É dado como suspeito independente de raça, credo, classe social, profissão etc.

RELATÓRIO  MÉDICO

Conforme relatório médico anexo emitido pelo Dr. Michel Henrique F. Santa Cruz (CRM-GO 12.541), a morte ocorreu por causas naturais, a saber, parada cardíaca.

ABORDAGEM

Foi instaurado inquérito para investigação de caráter interno para averiguar a conduta dos policiais envolvidos. Inclusive, o comando do 18º Batalhão de Polícia Militar está à disposição dos familiares. Em nota publicará à imprensa, a PM lamenta a morte de Helton e trata o caso como fatalidade.

POSICIONAMENTO DA FAMÍLIA

A mãe de Helton se posicionou sobre o caso, após concluir que foi uma sequência de coincidências e que o filho foi vítima de um ataque fulminante do coração. Leia o que ela disse.

Venho através desta publicação dizer o fato que aconteceu com meu querido filho (Heltom). Na manhã de sexta feira ele se levantou para ir ao curso oferecido pela empresa,logo após ao meio dia ele retornou a nossa casa, descansou é por volta das 14:30 saiu com sua filha mais nova para o clube,ele era muito querido,aonde passava era reconhecido por todos. Por volta das 19:00 horas ele voltava para casa é pergunta as minhas filhas se a jantava estava pronta,tendo a resposta como sim,ele chama o seu filho do meio Helder para sair, é buscar 3 latinhas para jantar como de costume,no caminho eles pararam na mercearia é se encontraram com seus amigos,na volta ele é seu filho param para fazer xixi,logo após eles são abordados pela GPT,que de forma bruta! Ele diz para os policiais que não é drogado,que é trabalhador, é que o rapaz que estava ao lado era o filho dele,que não era necessário aquilo. Como procedimento (porém de uma forma grosseira) eles mandaram os dois colocarem a mão na cabeça, porém quando meu filho Heltom ia levantando o braço o policial (sugeriu) que foi uma tentativa de reação, é pegou meu filho pelo pescoço, é os dois caíram no chão,depois disso eles alegaram que meu filho estava embreagado(sem nem ter feito teste do bafômetro) é algemaram meu filho levando ele até o carro da polícia militar, dizendo que iria levar ele a DP,meu neto(filho do Heltom) veio correndo em casa para avisar juntamente de se tio que seu pai ia ser levado a delegacia, é que precisaria pagar a fiança para soltar lo,para mim foi um susto,mas corri até a delegacia aonde já estavam pronto os papéis é a delegada foi bastante educada é me disse que a fiança era de 1000 reais, porém para pagar a fiança ele tinha que chegar a delegacia primeiro,uns 20 minutos de espera, é nadado meu menino,logos após esse tempo meu amigo (Batista) me diz que meu filho havia passado mal. Chegando lá o médico de plantão nos aguardava é pediu pra esperar um pouco pois precisava falar comigo,achei estranho, é me explicou que meu filho já havia chegado em óbito na UPA, é perguntou como meu filho de apenas 42 anos morre dentro da polícia em apenas 20 minutos,pós ele era uma pessoa que não tinha problema de saude,… Como ficou minha cabeça depois de tudo isso,fui criada sem pai,porém recebi uma educação de uma mulher maravilhosa (minha mãe) é tudo que foi ensinado passei para os meus filhos é me neto, ensinei especialmente a não roubar,não matar,a ser honesto é trabalhadores. Mas infelizmente vem uma polícia totalmente despreparada(nem todos) que não sabem aborda um cidadão honesto, além de procurarem ladrões, assassinos que estão soltos é roubando por aí , e agiram de má fé em aborda meu filho,que era trabalhador é muito querido de um forma totalmente grosseira é totalmente despreparada é que desencadeou a os fatos que infelizmente levou meu filho a óbito.
Não é fácil perder um filho,estou quase ficando louca,mas a justiça do Homem é falha mas a de Deus não,eu vou lutar,vou esclarecer oque fez que levou meu menino de mim é os cupados pagaram por isso.
Então peço desculpas pelos boatos que estavam rolando,a não eram verdadeiras,isso sim foi oque aconteceu, porém ainda tem outras partes que estamos esperando para saber, é assim cumprir com a justiça. RELATOS DA MAE DA VÍTIMA!

(Texto não editado e reproduzido conforme postado pela mãe de Helton)

 

Nota à Imprensa enviada pelo 18º Batalhão de Polícia Militar 

O 18º Batalhão de Polícia Militar manifesta seu pesar pelo falecimento, ocorrido por causas naturais, do senhor Helton Antônio Rita e se solidariza com a dor de seus familiares e amigos. Por volta das 21h20 de sexta-feira 09 de março de 2018, o veículo conduzido pelo Sr. Helton foi submetido à abordagem e fiscalização de rotina previstas nos Artigos 276 e 277 da Lei 9.503/97, fundamentadas também no Art. 78 da Lei 5.172/66, no Art. 240 parágrafo 2º e no Art. 244, ambos do Decreto-Lei 3.689/41.

Durante os procedimentos operacionais padrão de abordagem policial e fiscalização de trânsito, foi constatado que o Sr. Helton conduzia veículo automotor apresentando um conjunto de sinais que demonstrava nítida alteração de sua capacidade psicomotora, indicando com clareza o seu estado de embriaguez. Dentro do veículo foi encontrada uma garrafa vazia de bebida alcoólica. Tal situação, além de colocar em risco a integridade física e o patrimônio dos demais condutores de veículos e pedestres, configura infração e crime de trânsito previstos respectivamente nos artigos 165 e 306 do Código de Trânsito Brasileiro.

Atendendo ao que determina o Inciso IX do Art. 269 , o Art 277 caput e o Art. 306 parágrafo 2º da Lei 9.503/97, o Sr. Helton foi submetido à teste de alcoolemia realizado com uso de etilômetro aprovado pelo INMETRO e em verificação metrológica anual, cujo resultado de dosagem de alcoolemia foi de 0,36 g/L, valor superior ao tolerado pela Resolução nº 432/2013 do CONTRAN que é 0,34 g/L, o que obrigatoriamente ensejou, além das medidas administrativas, a detenção do autor. Nos termos da Súmula Vinculante 11 do STF, o Sr Helton foi conduzido em viatura policial dentro de compartimento especialmente preparado para tal. Durante o deslocamento, os policiais militares perceberam que o Sr. Helton estava desacordado e imediatamente prestaram socorro encaminhando-o para a Unidade de Pronto Atendimento de Catalão, onde o Sr. Helton foi rapidamente atendido por equipe médica.

De acordo com familiares, o Sr Helton era acometido de hipertensão arterial. Conforme relatório médico anexo emitido pelo Dr.Michel Henrique F. Santa Cruz (CRM-GO 12.541) a morte ocorreu por causas naturais, a saber, parada cardíaca. Portanto, aprincípio, não houve nexo causal entre a ação policial militar, executada em conformidade com a legislação vigente, e o lamentável falecimento do Sr. Helton Antônio Rita. Não obstante, será instaurado Inquérito Policial Militar para apurar o caso. O 18º Batalhão de Polícia Militar está à disposição dos familiares.

Carlos José da Silveira – Tenente Coronel QOPM Comandante do 18º BPM

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