8 de junho de 2018

Caminhoneiros ameaçam greve “pior do que a última”

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nesta quinta-feira (7/6) a nova tabela com preço mínimo do frete para o transporte rodoviário de cargas. O documento, que substitui a tabela que está em vigor desde o dia 30 de maio, será publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

De acordo com a ANTT, a nova tabela vai responder as principais dúvidas dos transportadores e contratantes dos serviços de transporte rodoviário de cargas. “Entre os principais pontos da regulamentação, podem-se destacar: o estabelecimento dos valores de frete por km/eixo para outras combinações de veículos e a possibilidade de negociação do frete de retorno entre o contratante do frete de origem e o transportador”, informou a agência.

A medida, publicada por meio de resolução, estabelece ainda os casos em que a tabela de preços mínimos não será aplicada. Entre os casos em que os valores não serão aplicados estão o de transporte de produtos radioativos, o transporte de valores, de coleta de lixo, no frete de retorno, quando o veículo não for movido a diesel, entre outros.

O texto diz ainda que os novos valores de frete mínimo não se aplicam aos contratos com prazo determinado e que foram formalizados até a publicação das novas regras. Já para os contratos com prazo indeterminado, a resolução determina que os valores devem ser ajustados aos preços mínimos em um prazo de até 90 dias.

O estabelecimento de preços mínimos para os fretes foi uma das reivindicações dos caminhoneiros durante a paralisação que durou dez dias. Após críticas de representantes do agronegócio, a ANTT admitiu a possibilidade de ajustar alguns valores.

 

Tabela, considerada maior vitória da categoria, entrou em vigor dia 30 de maio para por fim a manifestação

A tabela que estabelece o preço mínimo do frete que foi recém instituída pelo governo para por fim a greve dos caminhoneiros já pode estar com os dias contados. Na noite desta terça-feira (5/6) os ministros dos Transportes, Valter Casimiro, e da Agricultura, Blairo Maggi se reuniram com representantes do agronegócio e afirmaram que vão rever a tabela.

Nas redes sociais, os motoristas prometem resistir e ameaçam começar nova greve assim que a tabela for derrubada. Ela é considerada a maior vitória da categoria nos últimos tempos.

Agora, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está reelaborando os cálculos e deverá apresentar um novo resultado ainda nesta quarta-feira (6/6). O ministro Maggi afirmou que os valores estabelecidos são muito altos e que inviabilizam o setor produtivo.

“Esperamos que se encontre um denominador comum e não prejudique o caminhoneiro. Caso contrário, podem esperar uma nova rebelião”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José Fonseca Lopes.

Representante do Comando Nacional do Transporte (CNT) Ivar Luiz Schmidt reforça a possibilidade de uma nova greve, ainda mais expressiva do que a última. “Se essa tabela cair, vai ter uma greve pior que a última. E aí não vai ter negociação, pois eles vão querer provar para o mundo que são fortes, vai ser uma grande revolta”, diz.